ABM ecoa a voz dos municípios brasileiros em Tânger, no Marrocos, no Congresso Internacional da CGLU
A convite da Secretária-Geral da Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU), Emilia Saiz, Eduardo Tadeu Pereira, Diretor-Executivo da ABM, apresentou o Conselho de Cooperação Descentralizada durante o encontro mundial da organização, em sessão que definiu o Plano de Trabalho Trienal
TÂNGER, MARROCOS – A ABM participou de um dos principais momentos do Congresso Mundial da Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU): a aprovação do novo Plano de Trabalho Trienal da organização, documento que orientará as prioridades da rede mundial de governos locais nos próximos anos. A convite de Emilia Saiz, Secretária-Geral da CGLU, o Diretor-Executivo da associação, Eduardo Tadeu Pereira, integrou o painel de apresentação de instrumentos aprovados pelo Congresso e incorporados ao documento final de Tânger, o Conselho de Cooperação Descentralizada.
O Conselho de Cooperação Descentralizada responde a um desafio concreto na vida dos municípios. O novo instrumento cria um espaço político permanente para organizar essa cooperação para solucionar problemas mundiais em conjunto, transformando parcerias pontuais entre cidades e regiões locais em uma política orientada a resultados em escala global.
Na prática, o Conselho fortalece as alianças entre territórios, promove a aprendizagem mútua e amplia as oportunidades de cooperação baseadas na solidariedade e em interesses compartilhados. Os beneficiados são os próprios governos locais, no caso do Brasil, os municípios, que passam a contar com uma plataforma para dividir conhecimento e acessar redes de apoio internacionais.
Durante o painel, a ABM destacou a importância de fortalecer os mecanismos de cooperação internacional entre cidades e governos locais, especialmente em um país como o Brasil, que reúne 5.570 municípios com realidades, capacidades e desafios distintos. A experiência brasileira reforça a necessidade de criar espaços permanentes de diálogo e colaboração que contribuam para o desenvolvimento dos territórios.
A aprovação de instrumentos como o Conselho representa um passo para a consolidação da cooperação descentralizada como estratégia de fortalecimento dos municípios, e deixa de ser vista como assistência entre os países e passa a ser tratada como troca entre pares. Entre as deliberações conduzidas pelo conselho mundial, no âmbito do conselho mundia, esteve a aprovação do Conselho de Cooperação Descentralizada apresentado pela ABM; a incorporação do instrumento ao documento final evidencia a contribuição da entidade brasileira para a construção da agenda municipalista.
Espaços de fala como esses reforçam uma trajetória e protagonismo que a ABM vem construindo na articulação internacional dos municípios brasileiros: ao ajudar a moldar um instrumento global desde a sua concepção, a associação garante que a voz dos pequenos e médios municípios do Brasil seja ouvida onde as decisões que afetam os territórios são tomadas e podem transformar a realidade da população em nível local.
Sobre o Congresso Mundial da CGLU
O Congresso Mundial e a Cúpula de Líderes Locais e Regionais são o maior encontro da United Cities and Local Governments (UCLG), (em português, Cidades e Governos Locais Unidos – CGLU), reunindo prefeitos, governadores, vereadores, associações municipais, parceiros da sociedade civil e representantes do sistema internacional de todo o mundo. Trata-se de um espaço onde o movimento municipalista toma decisões, define prioridades e articula uma voz comum a nível internacional.
A edição de 2026 ocorreu em Tânger, no Marrocos, entre os dias 22 e 25 de junho, e reuniu mais de 3.000 líderes locais e regionais. É no Congresso que funcionam os órgãos de governança da organização, a Assembleia Geral, o Conselho Mundial e o Bureau Executivo, responsáveis pelas decisões que orientam o futuro imediato do movimento.
O encontro em 2026 chegou em um momento em que as soluções vindas dos governos locais ganharam protagonismo no cenário internacional. A proposta é avançar rumo a um multilateralismo em rede, conduzido pelas cidades em parceria com suas comunidades, ancorado nas necessidades reais das pessoas e nos serviços públicos como instrumentos de transformação.
O Congresso também é o ponto de convergência dos 100 Dias de Multilateralismo Local, um ciclo que vai de 21 de abril a 30 de julho de 2026 e conecta o Congresso a outros marcos internacionais, como o Fórum Urbano Mundial e a revisão do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11. No centro dessa agenda está o Pacto Social Local, construído por meio de consultas à sociedade civil sobre temas como habitação, finanças locais, saúde pública, sistemas alimentares, justiça climática e cultura, sempre atravessados pelos eixos do cuidado, do antirracismo e da juventude.
Ao levar a Tânger a experiência de quem governa cidades pequenas e médias, a ABM conecta milhares de municípios brasileiros às decisões que definem os rumos dos governos locais no mundo. Garantir esse canal aberto, para que nenhuma cidade brasileira fique de fora dessas conversas, é o que a ABM entende e atua para que a cooperação internacional sirva aos municípios brasileiros.






