Rede de Gestores: o novo espaço da Rede Clima Municipal para aproximar municípios e fortalecer a ação climática local
ABM lançou novo espaço da Rede Clima Municipal, que reúne gestores públicos em diálogos sobre clima e saneamento, com foco na realidade dos municípios de pequeno porte.
A Rede Clima Municipal deu início à sua Rede de Gestores no dia 1º de setembro, em encontro online que reuniu equipes municipais selecionadas pelo projeto em todo o país. O primeiro convidado foi o cientista Carlos Nobre, uma das maiores referências mundiais em estudos climáticos, que apresentou o projeto “Esponja Verde – Cidades Resilientes”.
Na abertura, o professor traçou um panorama dos efeitos das mudanças climáticas sobre os territórios e detalhou a lógica da esponja verde, a ideia de transformar as cidades em superfícies capazes de absorver, reter e reaproveitar a água das chuvas, reduzindo alagamentos e amenizando períodos de estiagem. A ideia é propor uma grande restauração florestal das cidades brasileiras, o que reduz as inundações, alagamentos, enchentes e reduz também a temperatura máxima, diminuindo os efeitos nocivos das ondas de calor. O cientista reforçou ainda o papel da biodiversidade como base dessa capacidade de resposta, tema que ganha urgência diante da intensificação de fenômenos extremos, como os amplificados pelo El Niño.
Para Nobre, “Quando não tem vegetação na cidade, quase toda a energia dos raios solares aquece o concreto, o asfalto, fica muitos graus mais quente. Devemos acelerar políticas públicas práticas de adaptação e aumento da resiliência em todos os setores, com soluções baseadas na natureza”, alertou.
Depois da apresentação, os gestores participantes puderam levar suas dúvidas diretamente ao professor. As equipes municipais aproveitaram o espaço para questionar como aplicar as soluções apresentadas nas suas realidades, o que deu à conversa um tom prático, ancorado nos problemas concretos de quem gere as cidades no dia a dia.
Um espaço contínuo de troca entre municípios
A Rede de Gestores foi desenvolvida para ser um ambiente aberto e contínuo de diálogo entre gestores municipais, pensado principalmente para a realidade dos municípios de pequeno porte. Um espaço onde os gestores do projeto podem compartilhar desafios reais, aprendizados e soluções que já foram testadas na prática, com o intuito de aproximar cidades, fortalecer as capacidades locais e disseminar conhecimento aplicável dentro desse contexto.
O funcionamento se organiza em diálogos temáticos, conduzidos pela própria equipe da Rede Clima Municipal para que as discussões não fiquem só na teoria, partindo para a prática. São quatro eixos: seca e escassez hídrica, que trata de insegurança hídrica, estiagens e estratégias de adaptação; inundações e eventos extremos, voltado a enchentes, desastres e medidas de prevenção e resposta; financiamento climático, focado em editais, parcerias e caminhos para viabilizar ações nos municípios; e saneamento básico, que discute os desafios estruturais do setor e os avanços trazidos pelo novo marco legal do saneamento básico.
Cada encontro busca discutir problemas comuns aos municípios pequenos, apresentar experiências reais do que funcionou e do que não funcionou, trazer parceiros estratégicos e gerar encaminhamentos simples e aplicáveis.
A participação também abre caminho para o reconhecimento formal dos gestores. Está prevista a certificação para quem comparecer a pelo menos metade dos encontros do ciclo, critério que valoriza quem acompanha os diálogos de perto e contribui com a construção coletiva. Para manter a conexão entre um encontro e outro, a rede contará ainda com um grupo de WhatsApp, canal direto para trocar dúvidas, mobilizar os participantes e divulgar oportunidades como editais, eventos e materiais técnicos.
A Rede Clima Municipal é uma iniciativa da Associação Brasileira de Municípios em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), voltada para a capacitação das equipes técnicas municipais para a gestão de riscos climáticos e o planejamento da adaptação às mudanças do clima. Com a estreia da Rede de Gestores, o programa passa a contar com um canal permanente de articulação entre as cidades, no qual cada encontro amplia o repertório coletivo para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas nos territórios.






